Da menina tímida à criadora da Bússola, quando a própria história vira caminho
Por Ana Gurevich – Psicologa/Pós graduada em Neurocomunicação
Nem sempre quem hoje fala com segurança já se sentiu assim. Antes de aprender a se comunicar com o mundo, eu precisei aprender a me escutar.
Minha história começa como a de muitas mulheres, uma infância cheia de sensibilidade, mudanças marcantes e uma sensação constante de não pertencimento. Fui uma criança observadora, que sentia tudo de forma intensa. Com o tempo vieram as perdas, os recomeços e uma timidez que parecia maior do que eu. Durante anos, acreditei que precisava me adaptar para caber nos lugares, até entender que o verdadeiro movimento era me conhecer para ocupar o meu próprio espaço.
Sou psicóloga e minha trajetória sempre esteve atravessada pelo desejo de compreender pessoas e histórias. Formei minha família, vivi fases de pausa e também momentos de profunda transformação. Foi depois de atravessar dores importantes que o autoconhecimento deixou de ser apenas um interesse e se tornou um compromisso diário comigo mesma. Terapia, mentorias, estudos constantes e uma pós-graduação em Neurocomunicação para Narrativas de Impacto ampliaram meu olhar sobre a forma como nos expressamos e nos conectamos. Atualmente, sigo me aprofundando como pós-graduanda em Psicanálise Clínica, expandindo ainda mais essa escuta.

Curiosamente, minha voz começou a ganhar espaço fora dos caminhos tradicionais. Durante a pandemia, ao empreender com uma loja infantil, me desafiei a fazer lives para vender produtos. O que era apenas uma tentativa de superar a timidez virou um espaço de conexão verdadeira. Pessoas que nem tinham filhos paravam para assistir, não pelos produtos, mas pelas conversas. Ali compreendi algo importante, talvez meu lugar não fosse apenas comunicar, mas acolher, direcionar e inspirar.

Vieram novos projetos, cursos, desafios e até experiências fora da zona de conforto, como me tornar modelo aos 40 anos. Cada passo reforçava uma verdade simples e poderosa, não existe idade certa para recomeçar, existe o momento em que decidimos nos permitir.
Foi dessa trajetória que nasceu a mentoria Bússola. Um espaço de encontros individuais que não se propõe a substituir a psicoterapia, mas a oferecer clareza, direcionamento e reflexão para mulheres que desejam organizar pensamentos, fortalecer sua identidade e fazer escolhas mais conscientes. A partir da minha formação em Psicologia, dos estudos em psicanálise e da vivência no desenvolvimento humano, conduzo conversas profundas, humanas e sem julgamentos, respeitando sempre os limites entre mentoria e processo terapêutico clínico.
A Bússola surgiu porque eu também precisei de direção em muitos momentos da vida e descobri que, quando alguém se sente verdadeiramente ouvido, algo muda por dentro.
Hoje sigo em constante construção. Não acredito em versões prontas, mas em processos. A cada história que escuto, lembro da menina tímida que fui e da mulher que escolhi me tornar. E se existe algo que aprendi nessa jornada é que autoconhecimento não é um destino final, é um caminho que se percorre com coragem, presença e verdade.
Talvez você não precise mudar tudo de uma vez. Talvez precise apenas começar a se olhar com mais gentileza, porque, no fim, a vida não é sobre competir com o outro, mas sobre se aproximar cada vez mais de quem você realmente é.
Connheça mais do meu trabalho no perfil @anacgurevich
